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quarta-feira, 13 de julho de 2011

O Leviatã




O monstro mitológico chamado Leviatã é citado na obra-prima homônima dos estudos políticos escrito por Thomas Hobbes, onde este faz uma comparação do Estado e nossa sociedade com esse tal demônio, sendo ele o Estado e nós, isso mesmo, cidadãos, pequenos Leviatãs que constituem esse monstro. Seria esse grande realismo-pessimista uma verdade? Unimos-nos em sociedade e façamo-nos um mostro que pulsa por nós mesmo?! Acredito que de principio seja real, mas ponderações de transformações existem.

As revelações que se estendem de forma mais escancarada na imprensa nacional nos últimos anos trazem aos olhos nus a verdade de que fazemos parte desse monstro, pois apresenta parte dos meandros das relações promiscuas entre sociedade, poder público, imprensa e até instituições do terceiro setor. Todos intrincados no corporativismo político-partidário que ocupa os espaços da administração pública e fazem relações inescrupulosas com grupos particulares.

Fica evidente que a atual política não trabalha só, muito pelo contrário, o monstro Leviatã funciona exatamente como o corpo humano, com órgãos, membros e terminações em constante comunicação, e sempre insaciável por mais alimento.

As ponderações que digo existir é que possivelmente exista uma janela de transformação, que é lenta e gradual, apresentando-se esporadicamente através dos momentos de grande indignação e comoção, onde em analogia poderíamos dizer que são os momentos que surgem células no organismo desse monstro com o propósito em contradição ao funcionamento nefasto do Estado contaminado.

A Lei da Ficha Limpa é prova cabal desses processos de transformação ao atacar em um ponto nevrálgico do sistema do Leviatã e que começa a produzir significantes transformações, bem como a Lei da Responsabilidade Fiscal. Seria esse o momento de rever o principio de ocupação de cargos de confiança através de uma visão alem do pregresso ilibado do cidadão indicado, mas sim discutirmos a comprovação de capacidade técnica, sabatinado por conselhos e entes da sociedade, e assim, uma das maiores patologias que nos aflige socialmente, o corporativismo político-partidário, que ocupa meandros para alimentar seus sistemas corruptores e se propagarem no poder, cairia por terra ao necessitar da provação de capacidade e o sentido da confiança designado aos cargos seria transferido à população, que é o real fiador das políticas públicas.

Assim sendo o Leviatã que fazemos parte precisa de células que se comportem em desalinho ao seu grande organismo, e como células, no principio parecemos como a menor porção e relegados a pouco efeito transformador, mas através de varias células se constrói um novo ser.


Pietro Parronchi

4 comentários:

  1. Pela primeira vez em muitos anos de vida política, um texto político de um jovem me surpreende a ponto de me enquadrar no seu pior referendo e mesmo assim me fazer feliz.
    Eu que hoje ocupo um cargo em comissão o famigerado Cargo de Confiança, vejo com bons e surpreendidos olhos que ainda resta uma luz a brilhar pálida no fim do túnel da política local. Enquanto alguns só se manifestam para desmerecer os atos alheios surge um texto de um cara que é abertamente postulante uma cadeira em nosso legislativo local condenando uma pratica que é quase a base de candidaturas existentes! Indo ate mesmo contra o passivo do Partido que está. Hoje que é um dia que se comemora o Dia do Rock , um monstro é mostrado a sociedade e este monstro é a própria sociedade, nada mais rock in Roll!
    Mesmo os que acham não ser parte deste mostro acabam colaborando com a eleição de pequenos monstros! Com este texto não resta mais duvidas da importância de cabeças novas pensando a velha política! Que não seja este o fim , mas sim o inicio de uma grande revolução e extermínio deste e de vários outros monstros! No contesto existente nas escritas do Jovem Pietro ate magoas e ataques são colocados de lado e simplesmente há a constatação que mesmo os paladinos de moral e bons serviçais estão colaborando com a derrotada do estado como anda a coisa. Quando se observa que o mesmo que critica tem vertentes políticas escondidas em suas criticas e aquele que faz da “caridade” palanque também! Do mais simples eleitor ate o mais bem formado magistrado em algum momento esta ligado a uma vertente política, e em alguns meios este relacionamento é muito estreito. Não sou a favor do fim dos cargos de confiança, desde que ocupados por pessoas de Confiança mesmo! E confiar desconfiando é uma lição importante neste caso.

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  2. Bira, muito nobre o seu comentário ao se citar e também sem rodeios dizer dos partidos, incluse o qual faço parte, os eleitores, mesmo aqueles que olham o processo "de cima", de fato, ficarmos nus de hipocrisia é doloroso, mas necessário! Chega de rodeios! No Dia do Rock precisamos enfrentar os demônios!

    Grande Abraço

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  3. O Onda é só uma onda????

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  4. O Onda como a onda é somente o reflexo de um movimento mais profundo, e isso nada mais é que a publicação e exposição das ideias e ideais de um grupo de jovens que se reúne regularmente em todas as sessões da Câmara, para acompanhar o andamento dos trabalhos da politica local. Gostamos de discutir e debater politica, desde longa data nos reunimos, no Colegiado, outras das Câmaras Mirins, enfim, enquanto a nossa "maré" em desejar debater existir, o Onda existirá.

    Grande Abraço

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