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sábado, 2 de julho de 2011

Respeitem as otoridades ambientais!


O Jornal de Limeira publicou no dia 1 de julho a reportagem “Protesto usa cruz em cova de árvore”. Na reportagem, cidadãos que fizeram o plantio de 17 mudas protestam contra ato da Prefeitura que após “doar” as mudas, retirou-as e plantou no parque da Vila Camargo. Como justificativa, o secretário de meio ambiente, cita que há um projeto anterior para o local e que flamboyants serão plantados na área. E sem projeto, a população não pode plantar nada na área urbana. Necessidade de projeto eu concordo, mas gostaria de ressaltar 2 erros no "projeto" do secretário:


1 - mata ciliar, que a legislação denomina APP - Área de Preservação Permanente, NÃO é jardim. Matas ciliares são áreas que têm necessidades específicas como a proteção contra erosão; como filtro natural para diminuição do escoamento de poluentes para as águas, já que as plantas diminuem a velocidade das águas e o solo “filtra” parte do poluente; e como corredor de biodiversidade, já que através dessas árvores, animais encontram abrigo para viver e procriar, além de facilitar o seu trânsito para outras áreas trocando sua carga genética com outros indivíduos da mesma espécie. Portanto, estética não é o fundamental e sim a relação ecológica neste espaço.

2 - pela legislação, arborização de matas ciliares deve ser realizada com plantas nativas. Isso se dá ao fato que sendo nativas, elas serão abrigos e fonte de alimentos para a fauna. No caso do “projeto”, eles querem plantar flamboyant que é uma árvore nativa da ilha de Madagascar, na África.
Toda iniciativa de Educação Ambiental deve ser incentivada, pois é dever de todos promovê-la. Organizações técnicas ambientais devem agir como facilitadoras e não como “otoridades” nesses casos. Retirar as árvores sem prévio aviso foi uma humilhação e afronta aos organizadores do plantio. Foi como se o secretário quisesse “dar uma lição” nos ecologistas.

O nosso município pouco faz no quesito arborização, bastando ver a quantidade de ruas “peladas” e rios gramados e não arborizados. E quando a sociedade tenta se juntar para preencher essa lacuna, ela é repreendida. O que necessitamos não é de um bedel olhando o que fazemos certo ou errado, mas um facilitador que mostra o que está errado e propicia a ação de acordo com as necessidades da coletividade.
Toda iniciativa popular que vai ao encontro de melhorias da percepção ambiental por parte da população deve ser incentivada e neste caso ficou claro que o que o secretário quer é manter o "capricho estético" do antigo secretário de meio ambiente. O secretário tem toda razão em falar de projetos ambientais, mas "atropelar" uma iniciativa de Educação Ambiental baseando-se em um projeto que deixa a desejar, não é sensato! Precisamos unir forças e não dividi-las.

Tiago V. Georgette – 01/07/11.

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