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terça-feira, 6 de março de 2012

Eleições na Rússia


 

O atual primeiro-ministro da Federação Rússia, Vladimir Putin, saiu vitorioso nas eleições presidenciais. Ele obteve 64% dos votos e contou com o apoio do atual presidente, Dmitri Medvedev, que abriu mão de sua reeleição para Putin sair candidato.

Mesmo com um “novo” presidente, a política externa do governo russo não modificará seu eixo de atuação no jogo internacional. Ele continuará apoiando o governo Sírio e buscando aumentar sua inserção no Cáucaso, enfrentando grupos separatistas. Na economia, a Rússia está estagnada e dependente de energia. Mudar essa situação será o grande desafio interno do novo governo. Tal cenário é diferente do início do século, quando Putin conseguiu acelerar a economia do país, levando a Rússia a ser respeitada no mercado mundial. 

A trajetória de Putin começa nos anos de 1970, quando ele foi um agente secreto da KGB. No final dos anos 1990, o governo russo vivia um caos, enfrentava os dissidentes chechenos e não conseguia equilibrar as contas públicas. Nesse cenário, Vladimir Putin ganhou as eleições para presidente em 2000 e é reeleito em 2008. Nos dois mandatos promoveu uma abertura política e retirou a econômica russa do isolamento. Na contramão dessas ações, ele promoveu reformas políticas que inviabilizavam novos partidos e atacavam a liberdade civil e da imprensa. Ele também aprovou uma lei que impedia eleições diretas para prefeitos, semelhante ao que ocorreu, em 1966, no Regime Militar brasileiro, quando foram criados os senadores biônicos. Outra medida, agora como primeiro-ministro, foi aumentar de 4 para 6 anos o mandato de presidente. 

Com relação ao processo eleitoral russo, devemos destacar que ele é propício para fraudes. Não há um sistema informatizado e nem uma ligação burocrática entre as seções eleitorais, ou seja, uma pessoa pode votar várias vezes, pois a comissão eleitoral não tem controle das pessoas que votam e nem há uma averiguação da existência de assinaturas duplas. Novamente há um exemplo semelhante na história política do Brasil, nas chamadas “eleições do cacete”, referente à manipulação dos resultados eleitorais e o também conhecido voto de cabresto, da Primeira República. 
O fato da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) indicar fraude nas eleições em benefício do partido de Putin, Rússia Unida, aumentou o coro dos candidatos derrotados. Protestos e paralisações já foram prometidos pelo líder do Partido Comunista, Gennady Zyuganov, que ficou em segundo lugar. É provável que o Partido Comunista tenha respaldo dos jovens que no ano passado protestaram contra as eleições ao parlamento. O movimento ficou conhecido como primavera russa. 

O resultado eleitoral deste ano demonstra como o governo russo ainda não conseguiu emplacar uma democratização interna. Putin está no governo a mais de 12 anos e isto demonstra um fato importante: que não há uma rotatividade eleitoral, mas sim uma troca no poder de atores do mesmo grupo, às vezes, nem isso. Também é salutar apontar que há um movimento de jovens buscando construir uma nova Rússia, mesmo que o conservadorismo de uma parte da sociedade ainda seja significativo. 

Israel Gonçalves
Cientista Político e professor de História.
Blog: http://realpoliticabrasileira.blogspot.com/
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